sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ao Homem Errado

Eu já sei.

Sei que você pode me fazer arder de formas variadas. Sei que é perigoso, tóxico e vicía. Mas eu também sei o que eu quero e do que sou capaz de aguentar. Pode parecer fraqueza não conseguir te evitar, mas a verdade é que o prazer vale o preço da dor. Você me torna a minha pior versão, perco o controle e a direção e mesmo assim te quero mais.

Eu já sei.

Sei que não vai ser só pra mim, sei que minha vontade não vai ter fim e vou te querendo ainda mais.

Mais.

Digo pra mim que quero fugir, que essa vai ser a última vez, mas você me envolve, me preenche e eu fico covarde, escrava do meu próprio desejo. Você me consome e eu te permito, digo que sei quando parar, mas quer saber? Você me confundiu, invadiu a minha vida e tomou conta dos meus pensamentos.

Eu já sei.

Sei que não vai prestar, que não vai andar que não vai mudar e mesmo assim te quero mais.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

De Mim

Saí andando com a mesma pressa de uma fugitiva. Fugia de mim. Andei sem prestar atenção por onde caminhava exatamente, minha cabeça era um turbilhão que só fazia as minhas pernas ansiarem por mais velocidade. Por mais que não soubesse para onde elas me carregavam, não sei se queria saber. Precisava de tempo pra me organizar mentalmente. O sol já tinha ido embora quando resolvi sentar nos primeiros degraus da escadaria de um prédio antigo, passava ali todos os dias e não sabia ao certo o que era. Me decepciono comigo quando percebo que deixei muita coisa passar.

Sentada, enxuguei as lágrimas que não queriam cessar, tentei controlar a temperatura das minhas bochechas apertando-as com a palma das mãos. Droga! por que meus lábios também não conseguem parar de tremer?
Abaixei a cabeça e deixei a franja cair sobre os olhos, não queria corrigir mais nada quando tudo parecia estar contra mim, resolvi deixar a natureza agir.

Pensei no que deveria fazer, aonde ir? Um desespero tomava conta da boca do meu estômago e eu tentava escolher uma música. Me senti ridícula e me peguei com um sorriso sarcástico.

sábado, 19 de setembro de 2009

Era Uma Vez

Já pensei em escrever um livro de romance, ou algo que refletisse esse tema. Fiz uma análise do que poderia levar uma história a ser um best-seller, jamais esquecido, fazer adolescentes arrancarem os cabelos de emoção e, sem nenhuma surpresa, descobri do que precisava: Tragédia.

A receita é antiga e funciona. Quantos casais ficam realmente "juntos para sempre" desde o início de uma grande história? O desencontro devido à problemas com família, triângulos amorosos, mentiras inofensivas, mal entendidos e afins é fato constante, presença garantida nos livros e filmes. E para "piorar", uma história é considerada ainda mais "romântica" quando o casal NÃO fica eternamente feliz com os 50 filhos programados numa casinha com um jardim perto do conto de fadas mais próximo. A exemplo disso temos o clássico Romeu e Julieta. Ainda me pergunto como seria o fim deles se não houvesse o tal do mal entendido. Se já existisse o celular.. enfim!

A conclusão é que, claro, realmente toda história de amor merece um começo apaixonante, um meio recheado, com um clímax, um problema a ser resolvido, e um fim que te faça suspirar e exclamar (ufa! aleluia! que lindo! aaain! quero pra mim! aaaaah!) ou até mesmo chorar!
As pessoas, em particular as mais sensíveis, se identificam com a tragédia por ver a sua vida como tal. Tudo não lhe parece trágico demais ao seu redor? São pessoas intensas, que buscam fazer do dia-a-dia monótono uma grande história REAL para contar, obter respostas da vida através dos seus atos. Pessoas que sentem mais a dor do que outras, mas que lhe é "libertadora", fase de aprendizado.

Muitos sentem falta de algo que não sabem classificar, procuram se encontrar em livros e filmes, tentam achar uma saída na trajetória de um personagem que se identificaram. Aí está a chave dessa enrolação toda: quanto maior o problema da história, mais as pessoas buscam comparar com sua própria vida, sentindo a vida como se fosse tragédia grega para posteriormente sentir um alívio pessoal nas mesmas proporções.

E é por isso que funciona. Até porque, na vida real, ninguém se apaixona hoje e casa amanhã.. Sempre tem uma maldiçãozinha no meio. Espero alcançar o meu "e foram felizes para sempre" e estou disposta a passar por esses venenos se for preciso.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Amar Para Existir

Resolvi ser narcisista. Escrevo mascaradamente, ou pelo menos acho que o faço, sobre o "meu-momento", tentando não ser óbvia demais quanto a minha posição estar completamente de acordo com a minha vida quando ela está. Então tá, eu me acho a espertona, que compreende as pessoas, mesmo nas situações mais sutis, mas nunca consigo entender por completo a pessoa que mais conheço intimamente, o meu próprio ser.

Vivo uma vida cheia de planos e, apesar disso, não sigo muitos deles ou demoro pra iniciar. Me sinto impotente e me auto-justifico. Procuro respostas naturais pra minha fraqueza e isso é covardia e cegueira. Por que não consigo ser complacente com o que eu sei que é melhor pra mim? Talvez eu não saiba.

Sei que é clichê demais, mas será que as pessoas realmente sabem o que é melhor pra elas e na hora certa? Andei lendo o que já escreveram no google e sem querer pararam no meu blog: "solteirice aguda"; "talvez ainda nãos sei"; "insegurança com você"; "você não me atende mas não sei se ela descobriu"; "não sei dizer não ao meu namorado"; "reflexões texto eu sei mas não deveria"; "eu não quero parecer carente"; "filosofia dos homens putão"; "me decepcionei com você"...

O que tá acontecendo? Todos parecem andar em círculos e em zigue-zague. Não parece mais existir tempo para se dedicar as ações que se iniciam com o prefixo "auto-". O mundo caminha mais oco, a evolução dos meios de comunicação e troca de informação é inversamente proporcional a disseminação de amor no mundo! Parece piegas, coisa de gente velha ou de professor, mas não consigo mais ver coisas bonitas em pequenos gestos.
Incansavelmente eu procuro cada vez mais voltar a essência do ser humano, que é a busca por sentir, por amar. Acredito essa ser uma das únicas provas de que um dia eu existi.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A Tênue Diferença Entre Compreensiva e Idiota

Homens têm mania de dizer que não compreendem as mulheres, que elas são complicadas, pensam e falam mais que o necessário, mas na verdade eles só não querem se dispor a gastar tempo pensando em análisar um outro ser vivo. Homens gostam de coisa pronta, por isso comem comida congelada de microondas.
Mulheres não são tão complicadas quanto parecem ser, na verdade elas só querem ser lidas nas entrelinhas, fazem coisas óbvias mas nem sempre de maneira direta. Não entendeu? Existem vários sinais como exemplo. Aqui vai uma situação: Se ela começa a ligar, (com bom senso) isso se dá de forma cautelosa, ela penetra a rotina estratégicamente e quando ele perceber, já a espera ligar. Ela continua se sentir que deve e pode fazer isso. Sabe que ganhou território, que ele pensa nela de alguma maneira durante o dia. Acontece que os bonitões adoram as ligações, são super fofinhos e cheios de nhênhênhê mas não as procuram! Reclamam se a bonitinha some, mas se acomodam de um jeito que não pensam mais em como ela quer ser tratada. Nesse instante ela deixa de ser compreensiva e passa a ser idiota.
Ora, o que aconteceu numa situação como a do exemplo acima? Ela sabe que ele se interessa de verdade, sabe que ele fica feliz quando ela dá sinal de vida, sabe que não pode exigir absolutamente nada dele, mas ela deu espaço para pensamentos reconfortantes entrarem como desculpas automáticas para a ausência da atitude masculina. Querida, ele não vai ligar, ele adora você mas é só isso. Ele não vai sair da zona de conforto exatamente porque você mostrou a ele que está sempre a disposição, mesmo a distância sendo a mesma para os dois. Se ele é o osso, você é o cachorrinho abanando o rabo. E cá entre nós, já viu osso se mexer?
Essa linha que diferencia a compreensão feminina de casos como: “ele ta no trânsito e não pode atender”, “eu sei o quanto ele é dedicado ao trabalho”, “ele tá sempre ocupado, eu entendo” e outros pensamentos afins é quase imperceptível mesmo os lados sendo tão paradoxais. Ela chegou num nível de compreensão que supera o bom senso inicial. O problema em questão não é arrumar desculpas para o que eles fazem de errado, e sim julgar a indiferença. Não existe argumento que defenda, se ele não vai atrás é porque não quer com a mesma intensidade que ela. A relação demanda mais impulsos do que recebe de um dos lados gerando falta de equilíbrio. Quase física, né? Na verdade é físico.
Em decorrência das análises feitas por nós mulheres (claro) sobre o sexo masculino, esse tipo de situação é irônicamente similar a um ciclo. Voltando a idéia de que os homens tem tendência a falta de recorrer ao uso de manuais explicativos, como um bom livro de culinária ou o manual da nova geladeira como exemplo, se ele chegar ofegante dizendo que te procurou em alguma ferramenta de cadastro de pessoas públicas como uma comunidade no orkut, alguma daquelas com 6743283248324 pessoas, ou na lista telefônica, cai fora! Ou ele é maníaco psicopata ou é virgem.
Depois as mulheres é que não são passíveis de compreensão, saiba ler nas entrelinhas, se preciso compre um bom livro de linguagem corporal, ajuda bastante, ou em último caso me liga.